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É difícil ser sacerdote numa sociedade como a santomense

O bispo e os sacerdotes da Diocese de São Tomé e Príncipe chegam a conclusão de que é difícil ser sacerdote na sociedade santomense. O facto foi constatado durante a formação que decorreu recentemente na Casa Episcopal durante três dias, proporcionado pelo Bispo Diocesano, D. Manuel António dos Santos.

Chegaram a esta conclusão depois de responderem a questão “Como ser sacerdote em São Tomé e Príncipe?” que foi também um dos temas discutidos durante o encontro.

O Bispo Diocesano, D. Manuel António Mendes dos Santos, falando dos fatores que têm contribuído para esta situação difícil, garante que a principal causa está na escravatura, tendo como consequência os povos que chegaram à Ilha de São Tomé forçadamente e foram se misturando e dando origem a esta sociedade, a falta da tribo para identificar o povo e suas características próprias, tendo em São Tomé e Príncipe os grupos étnicos apenas distinguidos pela língua.

O segundo aspecto é que, apesar dos 500 anos da Evangelização, a população não perdeu a sua cultura africana de magicista e feiticista. O terceiro aspecto está na vivência da vida para hoje, ou seja, se os santomenses tiverem o dinheiro hoje tudo bem e se amanhã não tiver paciência.

O quarto aspecto está na forma como os santomenses veem Igreja Católica. Em São Tomé a Igreja Católica é vista como uma Instituição rica e não como aquela que realmente precisa-se de apoio. Esses são os factores que têm dificultado os trabalhos na Diocese de São Tomé e Príncipe.

O Prelado também destacou os aspectos positivos que concluídos no encontro: a hospitalidade, o acolhimento e a alegria de vida que se vive em São Tomé e faz com que todos, e  em particular os sacerdotes, sintam-se confortados e felizes no desempenho de suas funções nesta Diocese.

Para o Arcebispo da Lunda Sul, D. José Manuel Imbamba, o ser sacerdote em São Tomé e Príncipe não defere do ser sacerdote em qualquer lugar do mundo. O importante é que o sacerdote é alguém que deve se sentir-se interpelado pela exigência das pessoas a quem serve, da própria sociedade, da cultura, da politica e da economia, é a pessoa que deve esta a altura de poder oferecer a todos a salvação, o Evangelho que liberta, o Evangelho que salva e o Evangelho que aponta o caminho da verdade da justiça e da paz, e o Evangelho que torna o homem sempre livre para poder acolher Deus na sua vida e partilhar o seu amor com o irmão com quem vive.

Pode-se consultar o resumo das três sessões e suas conclusões