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A Espiritualidade do Tríduo Pascal

Se a Páscoa judaica celebrava a saída do Egito e a comemoração anual deste acontecimento, a Páscoa cristã celebra a libertação do pecado mediante a imolação voluntária de sua própria vida, e esta Páscoa, culmina com a sua ressurreição dentre os mortos.

 

O coração do ano litúrgico é precisamente o Tríduo Pascal. Sua celebração começa na tarde da Quinta-Feira Santa e se prolonga até às vésperas do Domingo da Ressurreição. Esta celebração é a base das festas na Igreja, pois nela se edifica a celebração dominical da ressurreição do Senhor, a memória da Virgem Maria e dos santos, assim como os mistérios da vida do Senhor.

A partir do século II temos evidências de que a primeira Igreja celebrava a solenemente o Domingo e a Vigília Pascal, ou seja: “A mãe de todas as vigílias”. Graças ao testemunho de uma monja espanhola, Egéria, que viajou da Espanha a Jerusalém a meados do século IV, temos uma descrição sobre como se celebrava a Páscoa na Igreja de Jerusalém que corresponde em grande medida com a forma de como celebramos atualmente na Igreja.

A celebração de Cristo, nossa Páscoa, de sua vitória sobre a morte se centra numa só celebração que tem três momentos distintos: A Missa da Instituição da Eucaristia, o sacrifício de Cristo na Cruz e a sua ressurreição dentre os mortos. Nesta celebração a Igreja inteira manifesta, não só sua identidade mais profunda de ser um povo redimido pelo Sangue de Cristo, mas que também assume um estilo de vida fundamentado na gratidão, no sacrifício e no serviço.

A celebração da gratidão pode dar-se mediante uma participação plena, consciente e ativa na liturgia. De facto, aqui é onde nosso reconhecimento alcança sua máxima expressão, pois damos graças a Deus por nos haver dado a Jesus Cristo, porque ao compartilhar seu corpo e sangue nos convida a que nos façamos seu corpo para alimentar aos irmãos, a que sejamos seu sangue para dar vida no meio  do nosso mundo.

“Por meio do ato de lavar os pés, Jesus nos dá o exemplo de que ser cristão, ser de sua comunidade, implica também estar dispostos a prestar o serviço mais humilde a todos os irmão.”

O sacrifício na espiritualidade cristã não se vê, nem se deve orientar como um culto à dor, senão como um gesto de solidariedade com o Cristo que sofre uma morte injusta, mas que ainda assim, abraça a cruz cheio de amor por cada um de nós.

O sacrifício vive-se na abstinência do que não é o necessário para viver, no partilhar os bens que se tem e no solidarizar-se com as causas justas dos homens de hoje. Realmente não podemos ver o sacrifício como a negação das realidades humanas, mas sim como uma inserção no que nos aflige para que aí mesmo, pela mudança de situação, se manifeste a presença do ressuscitado.

A Liturgia da Quinta-feira Santa  marca três momentos que são chaves na vida cristã: A Instituição da Eucaristia, o ato de lavar os pés e o Sacerdócio ministerial.

A Eucaristia é celebração da paixão, morte e ressurreição de Cristo. Celebramos a Eucaristia para nos fazer ação de graças de Deus na vida dos demais. Por meio do ato de lavar os pés, Jesus nos dá o exemplo de que ser cristão, ser de sua comunidade, implica também estar dispostos a prestar o serviço mais humilde a todos os irmão. Certamente que Jesus não quis se envolver com os poderosos e influentes, e no seu proceder nos apresenta o serviço como um distintivo de seus seguidores.

Se a Páscoa judaica celebrava a saída do Egito e a comemoração anual deste acontecimento, a Páscoa cristã celebra a libertação do pecado mediante a imolação voluntária de sua própria vida, e esta Páscoa, culmina com a sua ressurreição dentre os mortos.

Aí está o coração da espiritualidade cristã, em ser testemunhas do ressuscitado e partilhar o pão, ao assumir livremente o sacrifício e as lutas dos demais e a prestar um serviço a quem necessite.

Feliz Páscoa!

 

Pe. Luiz Pessoa 

Pároco da Paróquia de Lourdes