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Papa diz que hospitalidade aproxima unidade dos cristãos, e denuncia hostilidade para os migrantes

«A hospitalidade ecuménica requer a disponibilidade para escutar os outros cristãos, prestando atenção às suas histórias pessoais de fé, e à história da sua comunidade. A hospitalidade ecuménica comporta o desejo de conhecer a experiência que outros cristãos fazem de Deus, e a expetativa de receber os dons espirituais que daí derivam», diz o Santo Padre.

«As divisões que ainda existem entre nós impedem-nos de ser plenamente o sinal do amor de Deus pelo mundo, que é a nossa vocação e missão.»

 

Rui Jorge Martins | SNPC

«Trabalhar juntos para viver a hospitalidade, em particular com aqueles cuja vida é mais vulnerável, tornar-nos-á (…) seres humanos melhores, discípulos melhores, e um povo cristão mais unido. Aproximar-nos-á, depois, da unidade, que é a vontade de Deus para nós», afirmou o papa, em plena Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

Na meditação que propôs na audiência geral de quarta-feira, no Vaticano, o papa vincou que «a hospitalidade é uma importante virtude ecuménica», significando, antes de tudo, que os outros cristãos são «verdadeiramente (…) irmãos e irmãs» dos católicos.

«Como cristãos, devemos trabalhar juntos para mostrar aos migrantes o amor de Deus revelado por Jesus Cristo. Podemos e devemos testemunhar que não há apenas hostilidade e indiferença, mas que cada pessoa é preciosa para Deus e amada por Ele. As divisões que ainda existem entre nós impedem-nos de ser plenamente o sinal do amor de Deus pelo mundo, que é a nossa vocação e missão», acentuou Francisco.

As palavras do papa inspiraram-se no tema do Oitavário ecuménico, que termina no próximo sábado, 25 de janeiro, solenidade da conversão de São Paulo, apóstolo que, na sua viagem marítima para Roma, enquanto recluso, naufragou ao largo da ilha de Malta, onde encontrou acolhimento.

«A força do mar e da tempestade é terrivelmente poderosa e indiferente ao destino dos navegantes, mais de 260 pessoas. Mas Paulo sabe que não é assim», e por isso «dirige-se aos companheiros de viagem e, inspirado pela fé, anuncia-lhes que Deus não permitirá que um só cabelo das suas cabeças será perdido», sublinhou Francisco, a partir do relato narrado no livro bíblico dos Atos dos Apóstolos.

Hoje, o mar Mediterrâneo, onde Paulo naufragou, «é mais uma vez um lugar perigoso para a vida de outros navegantes. Em todo o mundo, homens e mulheres migrantes enfrentam, viagens arriscadas para fugir à violência, à guerra, à pobreza. Como Paulo e os seus companheiros, experimentam a indiferença, a hostilidade do deserto, dos rios, dos mares».

«Mas, infelizmente, por vezes encontram também a hostilidade bem pior dos homens. São explorados por traficantes criminosos; são tratados como números e como uma ameaça por alguns governantes; por vezes e inospitalidade rejeita-os como uma onda para a pobreza ou os perigos de que fugiram», lembrou o papa.

Paulo testemunhará que os habitantes de Malta trataram os náufragos com «rara humanidade», frase que está no centro do tema da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos deste ano, com reflexões preparadas pelos cristãos da ilha maltina e da de Gozo.

«Acolher cristãos de uma outra tradição significa, em primeiro lugar, mostrar o amor de Deus em relação a eles, porque são filhos de Deus, irmãos nossos, e além disso significa acolher aquilo que Deus realizou na sua vida», frisou.

Por isso, realçou Francisco, «a hospitalidade ecuménica requer a disponibilidade para escutar os outros cristãos, prestando atenção às suas histórias pessoais de fé, e à história da sua comunidade. A hospitalidade ecuménica comporta o desejo de conhecer a experiência que outros cristãos fazem de Deus, e a expetativa de receber os dons espirituais que daí derivam».