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Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria

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Ap 11,19a;12,1-6a.10ab; 1 Cor 15,20-27; Lc 1,39-56

o Todo-Poderoso fez em mim para maravilhas”.

 

A festa de hoje, que se chama dormitio Virginis‘ no Oriente (a “dormição” ou morte da Virgem Santa Maria, Mãe de Deus) e Assunção da Virgem Santa Maria no Ocidente, está entre as mais antigas festas marianas (antigo testemunho litúrgico que foi proclamado solenemente com a definição dogmática de Pio XII em 1950).  Esta festa nos leva a tecer algumas questões cruciais sobre o sentido da vida, o motivo da morte, quais condições tornam a esperança cristã vivível e donde provém o anseio da alma humana por uma vida além da morte…

A Assunção da Virgem Santa Maria traça um ponto fixo no coração dessas questões e nos faz emitir uma carga de esperança na sequência de todas as outras questões humanas: Maria nos anuncia que a morte não é o fim, mas o  con-fim, isto é, fronteira entre duas condições diferentes;  e sendo fiel por excelência do Senhor, para Maria, como soa o Prefácio dos fiéis defuntos I, “a vida não é tirada, mas transformada”.

Na Anunciação, Deus entrega o seu Filho invisível à carne de Maria: “Et Verbum caro factum est” (Jo 1,14). Na Assunção, Maria entrega sua carne humana ao Filho do Homem glorificado.  Maria abraça a divindade do Verbo; e o Ressuscitado abraça a humanidade de Maria.

 A perspetiva da festa de hoje é a Páscoa.  S. Paulo, com entusiasmo, apresenta Cristo Ressuscitado como primícias de uma multidão de pessoas ressuscitadas, isto é, daqueles que receberão a vida n’Ele (cf.1Cor 15,20-22). O Apóstolo das nações (S. Paulo) fala também de uma ordem de participação na vida do Ressuscitado, reservada aos que pertencem a Cristo (cf.1Cor 15,23).  Como não pensar em Maria em primeiro lugar entre “os que pertencem a Cristo, participando da sua nova condição de vida?

 A Assunção de Maria fala de plena participação na vida de Cristo.  Se recuarmos um pouco no tempo, Maria já na sua vida terrena pertence ao seu Filho, no corpo e na alma;  já a partir da Anunciação, que não é apenas a conceção física do Filho, o seu “eis aqui a serva do Senhor” (Lc 1,38), se verifica a adesão total, a pertença e a plena participação de Maria no mistério do Filho.

Maria, por conseguinte, sempre foi de Cristo, ou melhor, está em primeiro lugar nesta pertença porque é preservada, separada por Deus para uma relação especial e irrepetível com o Verbo da Vida: “o Todo-Poderoso fez em mim maravilhas”.

São João Damasceno (no ano 749) escreve: “Era necessário que aquela que, no parto, havia conservado ilesa sua virgindade, conservasse também sem corrupção alguma seu corpo depois da morte. Era preciso que aquela que havia trazido no seio o Criador feito menino habitasse nos tabernáculos divinos. Era necessário que aquela que tinha visto o Filho sobre a cruz, … O contemplasse sentado à direita do Pai. Era necessário que a Mãe de Deus possuísse aquilo que pertence ao Filho”.

Caríssimos, a festa da Assunção, portanto, é o repúdio e a reprovação de todas as violências que hoje ocorrem contra a corporeidade da pessoa humana, desde menores a idosos.  Esta festa nos obriga ao amor e ao respeito sagrado pela corporeidade, que também é orientada para a ressurreição certa participando assim da vida nova em Cristo ressuscitado no seu verdadeiro corpo. 

Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor”. Pois, só quem crê em Jesus morto e ressuscitado é o portador desta esperança irrepetível: a morte não como um fim, mas um confim, além do qual se participa para sempre na vida de Cristo ressuscitado, no corpo e na alma.  A vida cristã deve nos ensinar a não somente chegar ao fim (já que ali todos o chegam!), mas sim a ultrapassar essa fronteira para habitar os espaços incorruptíveis do Deus da Vida.

Boa meditação, caríssimos e “uwã santù djàgingù da tudu nancê”. JB

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