Rua Pe. Martinho Pinto da Rocha São Tomé, São Tomé e Príncipe

14ª Semana – Sexta-feira – T.C.

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Mt 10, 16-23

 “Eu vos envio como ovelhas para o meio dos lobos”.

 

 O Evangelho nem sempre encontra portas e janelas abertas.  Para os discípulos, como para nós hoje, o convite de Jesus se resume em não ter medo, o que se repete três vezes, tornando-se, por assim dizer, o “tecido conectivo” do próprio evangelho: “sede prudentes”,  “tende cuidado com os homens”, “não vos preocupeis”.

 O Senhor não quer iludir os seus discípulos.  Já naquele tempo, Ele sabia que professar a fé frequentemente exigia muita coragem. Tudo porque as perseguições fazem parte da bagagem de um cristão: anunciar o evangelho também significa preparar-se para a tribulação, desde aquela subtil (marginalização, rejeição, incompreensão, etc.: era uma vez Europa, berço dos santos e santas, pois hoje a tolerância é usada com todas  religiões, exceto a cristã; com a tal tolerância tudo parece legítimo em nome de uma suposta liberdade de opinião e laicização exacerbada) até à real (exclusão da vida social e às vezes até a morte: dados recentes da ONU dizem que a fé cristã hoje é a mais perseguida, onde a cada cinco minutos, um cristão sofre maus tratos). 

Mas o cristão não deve temer a morte, mas sim a condenação, pois, o Senhor lhe garante: “aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo”. Ele, de antemão, sabia muito bem que não é fácil para a “ovelha” mudar a vida ao “lobo”.  E tudo se torna ainda mais difícil se tais “ovelhas” se apresentarem sem “ouro”, sem “alforge”, sem “sandálias” e nem “cajado”. A única força restante neles é o amor.  É uma “força fraca”, porque amor não tem armas nem arrogância; no entanto, é forte o suficiente para mover o coração dos homens.  De fato, diria eu, a fé não se arma, mas sim ama.

 Amar a Deus e aos homens acima de todas as coisas é, portanto, um poder concedido a nós, discípulos de Jesus. Há também “o Espírito do vosso Pai que falará em vós”, isto é, que fala por e em nosso nome nessas estradas perigosas quando anunciamos com a vida a Boa nova.  Esse mesmo Espírito nos ensina a ser “prudentes como serpentes” na escolha da melhor maneira de alcançarmos o nosso propósito cristão, e ao mesmo tempo, “simples como as pombas” para nunca desistirmos do mesmo propósito.

 E disso, São Pedro nos fortalece quando nos adverte o seguinte: “estai sempre prontos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que a pedirPorém – ele acrescenta uma palavra muito importante – fazei-o com mansidão e respeito e com boa consciência” (1Pd 3,15-16). 

Que o Senhor nos sustenha com o poder do seu Espírito, para que nunca tenhamos vergonha da nossa fé, mas a professemos em Seu nome com toda franqueza diante dos homens, para sermos reconhecidos por Ele no dia da sua vinda.

Boa meditação e bom fim de semana, caríssimos. JB

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