Rua Pe. Martinho Pinto da Rocha São Tomé, São Tomé e Príncipe

19º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B

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1Reis 19,4-8; Ef 4,30-5,2; Jo 6, 41-51

Eu sou o pão vivo que desceu do Céu”.

 

O evangelho deste domingo é a continuação daquele do domingo passado, no qual Jesus, depois de ter realizado o grande milagre da multiplicação dos pães, continua a explicar às pessoas o significado daquele “sinal”. E hoje, Ele se apresenta: “Eu sou o pão vivo que desceu do Céu”.

Nem por isso foi acolhido e aceite. Os presentes ao escutarem a tal afirmação, se escandalizam, não compreendem e começam a murmurar entre si: “… não é ele Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe conhecemos? Como, pois, diz ele: ‘Desci do céu?’” Não conseguem ir além das suas origens terrestres de modo que, para eles, não é, portanto, possível que Ele venha do alto.

Então Jesus responde: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair” e acrescenta: “quem crê em mim tem a vida eterna”. O Senhor os introduz na dinâmica da fé, que é uma relação entre a pessoa humana — todos nós — e a Sua Pessoa, onde um papel decisivo é desempenhado pelo Pai, e naturalmente também pelo Espírito Santo — que aqui está subentendido. Para que isso aconteça é necessário que os nossos corações estejam abertos à ação do Espírito de Deus.

Já aqueles judeus, para além do preconceito, possuíam uma certa dureza de coração, como comentou S. Agostinho, “estavam distantes daquele pão celeste, e eram incapazes de sentir fome dele. A boca do seu coração estava enferma… Com efeito, este pão exige a fome interior do homem” (Homilias sobre o Evangelho de João, 26, 1). 

Pois, saibais disto, caríssimos: somente quem é atraído por Deus Pai, quem o ouve e se deixa instruir por Ele pode acreditar em Jesus, encontrá-Lo e alimentar-se d’Ele para ter a vida em plenitude, a vida eterna. Daí que o conteúdo torna claro: Jesus é a salvação para o povo de Israel como maná no deserto. Devo dizer que este mistério, antes de nos surpreender segundo a lógica racional, nos maravilha segundo aquela lógica de amor.

E evangelho acrescenta: “Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, que Eu darei pela vida do mundo. Com Jesus, acontece ainda muito mais daquilo que foi concedido ao Moisés (40 anos de caminho no deserto) e ao Elias (40 dias de caminho no deserto). Aquele que se une a Jesus – comer deste pão – viverá eternamente, receberá o dom da vida infinita, portanto, Eucaristia, onde o “comer” se torna uma questão de vida ou morte. 
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A Eucaristia é alimento da vida eterna. E a mesma vida não se refere ao depois; já estamos no caminho da eternidade na qual, a vida terrena é apenas uma fase … a vida é para a vida eterna como o feto é para o homem que nasce e cresce. Estamos diante de um “já e ainda não” em plenitude, como alegou o teólogo luterano francês Oscar Cullmann. Não tendo a vida eterna em plenitude neste mundo e ciente de que o Pão que Jesus nos dá é a sua “carne pela vida do mundo”, é urgente fazermos algo já e agora para alcançar a tal plenitude.
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Refere-se de um padre que, ao dar a comunhão aos fiéis da sua paróquia, gostava de dizer: “… transforma-te no que recebes: o Corpo de Cristo”. Pois é, caríssimos, Eucaristia não se reduz simplesmente ao ritual da Missa … é sobretudo naquele preciso momento “ite missa est” (“ide em paz…”), que a missão começa (cf. Sacramentum Caritatis, 51). Em nós, Jesus deixa a igreja-templo; veste-se da nossa humanidade, de tal forma que própria humanidade se torna a carne viva de Deus.
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E é em função disto, que podemos agora compreender em cheio e concretizar na nossa vida o que S. Paulo nos exorta, endereçando-se aos Efésios: “Sede imitadores de Deus, como filhos muito amados.Caminhai na caridade, a exemplo de Cristo,que nos amou e Se entregou por nós,oferecendo-Se como vítima agradável a Deus”.
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Fomos atraídos por um Deus “bom como pão” que nutre toda a nossa vida; um Deus que dá o primeiro passo, que se entrega e não exige compensação. Portanto, nós, seus filhos, não podemos fazer outra coisa senão seguir seus passos com o testemunho de vida, apesar das nossas limitações e fraquezas. De facto, a Eucaristia, como disse o Papa Francisco, “não é um prémio para os perfeitos, mas um remédio generoso e alimento para os fracos” (Evangelii Gaudium, 47). Portanto, queridos irmãos e irmãs, “… transformai-vos no que recebeis: o Corpo de Cristo”.
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Boa meditação, caríssimos e “uwã santù djàgingù da tudu nancê”. JB

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