Rua Pe. Martinho Pinto da Rocha São Tomé, São Tomé e Príncipe

26ª Semana – Segunda-feira – T.C.

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S. Vicente de Paulo (séc. XVI-XVII)

Lc 9, 46-50

Quem for o mais pequeno entre vós, esse será o maior

 

O desejo de se destacar entre os outros, no homem, foi e é sempre uma tentação perigosa. E Jesus conhece os seus “sentimentos íntimos”, pois “o homem vê a aparência, o Senhor vê o coração” (1Sm 16,7), portanto, Ele sabe que tal desejo está na raiz de todos os males, desde Adão até  os nossos dias.

Quantas competições, quantas divisões entre nós, e nós e Deus, isto não tenha causado?! E desta vez, Jesus não inventou uma das suas estupendas parábolas, mas fez um gesto de surpreendente beleza: “tomou uma criança, colocou-a junto de Si”.

A criança é o emblema da menoridade, da secundariedade (da subalternidade, da inferioridade …), da fraqueza, da entrega.  Se não vos tornardes como crianças …” (Mt 18,3).  Jesus nos desarma e emancipa o nosso lado lúdico e infantil.  Ademais, entregar-se à infância é entregar-se ao coração, ao sorriso, à paz, aceitar de deixar a mão na do outro, abandonar-se sem reservas.

E Jesus acrescenta: “quem acolher em meu nome uma criança como esta acolhe-Me a Mim”!  O Senhor, ao apresentar a criança como a sua imagem, dá um enorme passo à frente, derrubando completamente o critério de grandeza mundano.

Deus como uma criança: “e quem Me acolher acolhe Aquele que Me enviou”! O paradoxo do pensamento na época de Jesus, isto é, o Rei dos reis, o Criador, o Eterno numa criança?

Pois, Deus escolheu o que é louco aos olhos do mundo para envergonhar os sábios, o que é fraco para envergonhar o forte, o que é vil e desprezível, o que é nada para mostrar a nulidade  dos que pensam que são alguma coisa, assim ninguém poderá gloriar-se diante de Deus (cf. 1Cor 1,27-29).

Daí que se torna, para nós, caríssimos, compreender o mistério inverso da pequenez e da humildade de Jesus – Senhor e Deus – nascido numa manjedoura e morto na cruz entre dois ladrões.

E disto, a Igreja não tem nada de que se orgulhar pelos nomes pomposos dos seus santos, mas pelas feridas que pode curar e pelos enfermos que ainda pode salvar. Ela não se preocupa com o seu crescimento numérico, mas sim com a vontade de sair de si mesma e se oferecer a todos na humildade, na simplicidade e na caridade. Nada de grandeza!

De facto, o discípulo deve ser aquele que escuta a Palavra, deixa de lado a própria identidade e, na humildade e pequenez, se transforma em fermento de vida.

Santa Terezinha do Menino Jesus, pequena como era, dizia: “Sou apenas uma criança, impotente e fraca, no entanto é a minha própria fraqueza que me dá a audácia de oferecer-me como Vítima ao Teu Amor, ó, Jesus!” (Manuscrito B-255).  Portanto, caríssimos, estamos no caminho errado, se não vivermos a humildade e não tentarmos fazê-la aumentar em nós.

Que o Senhor nos dê a cada dia a consciência da nossa pequenez e a alegria de poder colocá-la ao serviço do Reino dos Céus.

Boa meditação e bom início da Semana, caríssimos. JB

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