Rua Pe. Martinho Pinto da Rocha São Tomé, São Tomé e Príncipe

SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS

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Ap 7, 2-4.9-14; 1Jo 3,1-3; Mt 5, 1-12a

Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa…

 

Na solenidade de Todos os Santos, que antecede a comemoração dos Defuntos, a Igreja se apraz em nos apresentar como será o nosso verdadeiro amanhã. Todos nós sabemos que esta vida é uma curta peregrinação que Deus Pai, ao nos criar, “pensou” para nós, a possibilidade de alcançarmos a felicidade eterna com Ele. E assim é. Assim o apóstolo João descreve o amanhã da eternidade: “uma multidão imensa, … vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão”.

Faremos parte dessa “multidão”? É a pergunta que deve nos acompanhar no dia a dia, porque o não estar significa que cometemos um erro na vida, indo na direção errada! Vendo como muitos de nós vivemos “no dia a dia”, sem pensar e muito menos sem nos dar um programa de santidade, ficamos maravilhados.

Gostaríamos de ser humildes, mas percebemos que muitas das nossas atitudes estão manchadas de orgulho. Gostaríamos de ser pobres de espírito para encher o coração de amor, mas percebemos que sujamos as mãos com as coisas, as quais estamos apegados,  fechando-nos a mais elementar generosidade, que nos ensinaria a nos libertar de nós próprios para nos abrir à luz e à caridade.

Gostaríamos de manter em nossos corações todas as pessoas, principalmente as que sofrem e são pobres, mas, às vezes, somos insensíveis e distraídos com os próprios entes queridos na família, maliciosos com os vizinhos, irritantes com os colegas, querendo apenas o nosso conforto, o que nos leva à indiferença.  Gostaríamos, gostaríamos …, diríamos com São Paulo: “não faço o bem que quero, mas faço o mal que não quero” (Rm 7,19).

Mas quem são os santos?  Escutemos as palavras do Papa Francisco, sempre profundas, diretas e envolventes: “os santos não nasceram perfeitos; são como nós, como cada um de nós, pessoas que, antes de chegar à glória do céu, viveram uma vida normal, com alegrias e tristezas, fadigas e esperanças” (Angelus, 01.11.13).

A diferença com o resto da humanidade consiste no fato de que, continua o Papa, “quando conheceram o amor de Deus, seguiram-no de todo o coração, sem condições nem hipocrisia; passaram a vida a serviço dos outros, suportaram sofrimentos e adversidades, sem odiar e responder ao mal com o bem, difundindo alegria e paz … os santos são homens e mulheres que têm alegria no coração e a transmitem aos outros” (ibidem).

Ser santo não é privilégio de poucos, mas é vocação de todos … Também há lugar para aqueles que não realizaram ações extraordinárias, mas viveram de uma maneira extraordinária a sua existência ordinária. Todos somos chamados a percorrer o caminho da santidade e este caminho tem um nome e um rosto, o de Jesus. Pois, Ele no Evangelho hodierno mostra-nos o caminho: o de bem-aventuranças.

O Reino dos Céus, de fato, é para aqueles que não colocaram e não colocam a sua segurança nas coisas, mas no amor de Deus;  é para quem tem um coração simples e humilde, pois eles não presumem ser justos e não julgam os outros;  é para aqueles que alegram com os que se alegram, choram com os que choram (cf. Rm 12,15);  é para aqueles que não são violentos, mas misericordiosos e procuram ser arquitetos da reconciliação e da paz.

A glória dos Santos, portanto, é um bem precioso demais, esse dom incomparável do Pai que já aqui, se dermos espaço às bem-aventuranças em nós, podemos usufruir dele … Peçamos “ardentemente a intercessão dos Santos, a fim de nos ser concedido pelo seu patrocínio” (São Bernardo Abade, Sermão 2).

Boa meditação, caríssimos. JB

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