Rua Pe. Martinho Pinto da Rocha São Tomé, São Tomé e Príncipe

32ª Semana – Sexta-feira – T.C.

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S. Josafat, Bispo e Mártir (séc. XVI-XVII)

Lc 17,26-37

Como sucedeu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do homem: comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento …”.

 

São modus vivendi repetidos desde a época de Noé, de Lot: hábitos e costumes consolidados, aos quais os homens então se apegaram, sem se aperceberem que aquele mundo estava no fim.

Mesmo hoje, tais modos de viver continuam sendo nossos. Nos levantámos, nos lavámos, nos vestimos, tomamos o pequeno almoço (‘matabicho’), comemos, bebemos, fazemos isto, fazemos aquilo, etc., e assim estamos habituados a viver essa normalidade de vida, que gostaríamos muito que fosse sempre assim. Mas não é! Pois, se neste dia o nosso mundo tivesse o seu fim, e nós devêssemos morrer? Tudo estaria perdido, acabado?

A respeito do fim, no versículo precedente deste capítulo evangélico, Jesus nos tinha dito que “assim como o relâmpago, que faísca dum lado do horizonte e brilha até ao lado oposto, assim será o Filho do homem no seu dia” (Lc 17,24). Por isso, caríssimos, o Senhor, hoje, nos convida a estarmos prontos, na vigilância e na fé, para o encontro com Deus, o que não significa mudar exteriormente.

É uma atitude interior: “Pare um pouco, homem! Pare e medite sobre a tua vida neste mundo, pois nem sempre será assim, um dia não será assim, um dia tu ‘serás tomado e outro deixado’”. Não nos esqueçamos que segundo o nosso ser e estar podemos ou não bem esperar para aquele encontro com o Senhor.

E disto, não é em vão que, com o exemplo de Noé e de Lot, justos, Ele mostra que há sempre homens que se colocam livremente ao lado de Deus, pessoas que procuram segui-Lo pelo caminho estreito que passa pelo Calvário para chegar a Ressurreição; e há aqueles que rejeitam Deus e a sua salvação, que preferem viver por conta própria, se esquecem d’Ele e se preocupam apenas com os bens terrenos.

Caríssimos, lembremo-nos de que a salvação e a vida autenticamente cristã não são uma ilusão, um engano, e não consistem em fazer coisas extraordinárias, mas sim em escutar e discernir a voz, a presença de Deus na nossa vida cotidiana. Devemos aprender a ler a nossa própria existência e a história do mundo à luz da Palavra de Deus: Ele é “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6), o cumprimento da história universal e de cada história.

Papa Francisco, meditando proprio  este trecho evangélico, conclui afirmando o seguinte: nos fará bem a todos pararmos um pouco e pensar o dia no qual o Senhor virá ao encontro de cada um de nós, virá tomar cada um de nós para partir deste mundo com Ele” (cf. Meditação matutina, Domus Sanctae Marthae, 17.11.17).

Que o Senhor nos dê esta disposição de caminharmos com Ele, sempre escutando a sua Palavra no nosso cotidiano, guiando-nos a reconhecê-Lo nas pessoas que encontramos, nos nossos afazeres, nos pequenos e grandes acontecimentos, nas alegrias e nos sofrimentos da vida.

Boa meditação, caríssimos. JB

Comments (1)

Caríssimo irmão, obrigado pela meditação!
Na verdade, vivemos um tempo de comodismo, para uns, e garimpo desenfreado para outros. Estes buscam cada vez mais para baixo, e “se esquecem d’Ele e se preocupam apenas com os bens terrenos.”
Mas nós, o que fazemos, como cristãos, destinados a prolongar a Missão de Cristo no mundo?
O que fazemos com o nosso baptismo, que veio da morte do Justo?
Para onde escavamos, para baixo ou para o Alto?
Ahh! 《… Se soubesses quem te pede água, pedirias tu e ele te daria a água da vida.》cfr Jo 4,10, e não estarias tão inquieto.
Haja paz.

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