Rua Pe. Martinho Pinto da Rocha São Tomé, São Tomé e Príncipe

33ª Semana – Segunda-feira – T.C.

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Lc 18, 35-43

Disseram ao cego que era Jesus Nazareno que passava

 

Um cego sentado à beira da estrada que vai de Jericó a Jerusalém, na esperança de conseguir alguns trocos dos peregrinos que enfrentam a última etapa para subir à cidade sagrada.

Como cego, ele depende totalmente daquilo que veem os outros, dos quais, alguns se aproximam dele com compaixão,  outros, sobretudo com indignação, convencidos de que a sua cegueira seja causada pelos seus pecados. Todavia, “disseram-lhe que era Jesus Nazareno que passava”.

Ele está ciente da sua situação e ao mesmo tempo deposita a sua confiança em Jesus: duas condições para obter a cura.  Então, por que perder a única chance da sua vida? Eis a súplica: “Jesus, Filho de David, tem piedade de mim”.

Sem se aperceberem que o cego reconheceu em Jesus o Messias que salva, “os que vinham à frente repreendiam-no, para que se calasse”, era melhor silencia-lo e garantir a tranquilidade pública, a paz pública. Pobres homens! Naquela época, como hoje, muitos se esquecem de que a fé “não se limita a sentimento privado, que possivelmente se esconde quando é incómoda, mas exige a coerência e o testemunho também em âmbito público em favor do homem, da justiça, da verdade” (Papa Bento XVI, Angelus, 09.10.05).

Mas, o cego grita ainda mais alto, “Filho de David, tem piedade de mim”, porque ele sabe que, se essa única oportunidade na vida passar, não haverá mais esperança para si.  Sendo assim, como “todo aquele que pede recebe; quem procura encontra; e a quem bate, a porta será aberta” (Lc 11,10), a sua súplica foi satisfeita com a cura: “Vê. A tua fé te salvou”. E se tornará discípulo de Jesus, depois de ter procurado com o coração, o que os seus cegos olhos não puderam enxergar (cf. Antoine de Saint Exupéry, 1900-1944).

Pois, o cego, ao ir ter com Jesus, partiu com lágrimas nos olhos, mas depois de ser curado, “seguiu Jesus glorificando a Deus”. O seu seguimento é gerado pela fé incondicional no Senhor que salva e converte, por isso ele não terá medo de acompanhar Jesus até o fim.  A fé assim manifestada é claramente um ato de confiança incondicional no Senhor, que sempre ama primeiro.

Caríssimos “só quem tem a sua casa, sabe onde chove”; só quem se reconhece como pobre e cego tem a possibilidade de seguir Jesus; só quem reconhece que tudo vem de Deus, sabe – do fundo do fundo de coração e do seu desespero – gritar por socorro, escutar a voz de Jesus que lhe abre novos horizontes, restaurando assim a esperança e a dignidade.

E Ele, por sua vez, nunca nos abandona à miséria, à doença. Ele continua a trilhar as estradas da vida, proporcionando-nos novos olhos para ver a realidade e começar uma nova vida. Libera-nos da cegueira em que podemos afundar e do estado de mendicância perene.

Que o Senhor nos dê a luz da fé e nos dê a forças para que possamos segui-Lo como o cego de Jericó, até chegarmos à Jerusalém definitiva.

Boa reflexão e bom início da Semana, caríssimos. JB

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